Os trabalhos revistos mostram que o exercício do Tai Chi Chuan é benéfico na função cardiorrespiratória, controle mental, flexibilidade e controle do equilíbrio em idosos. Ele melhora a força muscular e reduz o risco de quedas neste grupo etário.
Embora a maioria dos estudos tenha sido bem desenhada, dois fatores foram sistematicamente omitidos ou apenas parcialmente contemplados: o programa de treinamento e o controle das variáveis de confundimento.
Com relação ao programa de treinamento, apesar de haver trabalhos reconhecendo que o Tai Chi Chuan é uma modalidade bastante heterogênea, é comum a omissão da especificação do tipo de técnica utilizada pelo pesquisador. Grande parte dos estudos refere ter utilizado o Estilo Yang de Tai Chi Chuan. Entretanto, de acordo com os trabalhos revistos, existem dezenas de variações dentro deste estilo e esta mesma variação está presente também dentro dos outros estilos. A simples menção do estilo e a não inclusão do programa de exercício, bem como os dados relativos à intensidade e nível de complexidade das práticas, gera um importante viés de aferição, dificultando a comparação e a discussão dos resultados de um trabalho por outros pesquisadores e inviabilizando a sua replicação.
Portanto, estudos relacionados à Metodologia de Ensino do Tai Chi Chuan, que discutam o planejamento e padronização da prática, fazem-se necessários para permitir essa interlocução entre os diversos autores.
Há também outros fatores como história pregressa individual, ocupação, gênero, idade, motivação, uso de medicações, presença de contra-indicações ou de doença crônica, dentre outros, que podem contribuir para os achados dos estudos apresentados ou interferir nos resultados encontrados, necessitando ser considerados em próximos trabalhos a fim de que se evite o viés de confundimento.
Portanto, mais pesquisas são necessárias para explorar estas áreas, devendo ser realizados estudos longitudinais para confirmar os efeitos do treinamento de longa duração do Tai Chi Chuan.
