Série de Adaptação
Movimentos Educativos
Movimento 1. Posição
Fundamental

Movimento 2. "Subir com o Céu"
Movimento 3. "Descer com a Terra"
Movimento 4. "Deslizar com a
Água"
Movimento 5. "Envolver com o Fogo"
Movimento 6. Tai Chi em duplas
Função cardiovascular e pressão
arterial
Exercícios
supervisionados, de intensidade baixa a moderada, são os
mais indicados para promoção de saúde em
idosos. Os estudos demonstram que, para praticantes desta faixa
etária, o Tai Chi Chuan é um exercício de
moderada intensidade, que trabalha em valores próximos a 60%
da freqüência cardíaca máxima.
A prática regular do Tai
Chi Chuan produz efeitos favoráveis na função
cardiovascular de idosos, melhorando tanto a capacidade de trabalho
quanto a hemodinâmica cardíaca.
Alguns estudos demonstraram
melhora na função cardiovascular e
redução de pressão arterial em idosos
praticantes de Tai Chi Chuan, mas um trabalho mostrou a
pressão arterial inalterada.
Comparando os efeitos de
exercícios aeróbios de moderada intensidade com
programas de Tai Chi de intensidade leve na redução
da pressão arterial, em idosos previamente
sedentários, encontraram-se efeitos similares. Entretanto,
verificou-se que os resultados produzidos pelo Tai Chi Chuan
são menores que os das atividades aeróbias
padrão, como caminhar; recomendando-se, portanto, que ele
deva ser praticado juntamente com exercício regular
aeróbio moderado, mais que no lugar do mesmo.
Efeitos favoráveis da
prática de Tai Chi Chuan também foram observados em
pacientes com infarto agudo do miocárdio e em pacientes
revascularizados.
Função
ventilatória
As alterações da
respiração verificadas durante a prática dos
exercícios do Tai Chi Chuan sugerem melhora na
função respiratória para as variáveis:
freqüência respiratória, ventilação
(VE), consumo de oxigênio (VO2) e equivalente
ventilatório (VE/VO2).
Estudo comparando
freqüência ventilatória, equivalente
ventilatório e taxa de ventilação do
espaço morto por volume corrente (VD/VT), durante a
prática do Tai Chi Chuan e durante a
realização do teste ergométrico
submáximo, encontrou diferenças significativas que
sugerem maior eficiência da função
respiratória no primeiro, possivelmente devido à
ênfase dada aos exercícios respiratórios nesta
modalidade.
Força
muscular
Os idosos praticantes de Tai Chi
Chuan apresentaram menor perda da força nos membros
superiores durante o teste de preensão manual. O desempenho
manual manteve significância mesmo quando um grupo de
praticantes de Tai Chi Chuan foi comparado com outras modalidades
tradicionais. Melhoras significativas também foram
verificadas para a força dos músculos extensores e
flexores dos joelhos de praticantes de Tai Chi Chuan em
relação a grupo controle e para o pico de torque
extensor do joelho, no protocolo concêntrico e
excêntrico, reforçando a teoria de que o treinamento
de Tai Chi Chuan em idosos pode aumentar a força e a
resistência muscular dos extensores dos joelhos.
Equilíbrio e quedas
O Tai Chi Chuan leva a ganho em
força, coordenação e flexibilidade, resultando
em menor incidência de quedas em pessoas idosas.
Entretanto, o treinamento isolado
de equilíbrio não mostrou reduzir o risco de quedas,
enquanto intervenção focalizando múltiplos
fatores de risco produziu proteção significativa
contra quedas. Este achado sugere que o benefício do Tai Chi
Chuan envolve outros mecanismos, além da simples melhora no
equilíbrio, dentre eles a redução do medo de
queda, o treinamento dos reflexos neuromusculares, o fortalecimento
dos grupos musculares associados, a diminuição das
oscilações e a melhora da flexibilidade.
Osteoartrite e artrite
reumatóide
O Tai Chi Chuan demonstrou ser
seguro para os praticantes com artrite reumatóide. Foram
observadas melhoras no edema e dor articular, no tempo de caminhar
e na força de preensão manual, não havendo
deterioração clínica nestes pacientes quando
comparados ao grupo controle. Não há sugestão
de que o Tai Chi Chuan possa diminuir a deterioração
da cartilagem e do osso, mas que aja como terapia adjuvante para o
tratamento médico.
Os movimentos do Tai Chi Chuan
satisfazem as regras básicas de reabilitação
para pacientes com osteoartrite. Eles são fáceis de
aprender, requerem o uso das articulações maiores do
corpo, servindo como uma atividade de baixo impacto e baixo risco,
capaz de promover melhora na auto-eficácia, qualidade de
vida e mobilidade funcional em idosos com osteoartrite. O
início precoce de exercícios de baixo impacto no
curso da osteoartrite pode diminuir a severidade da dor e da
disfunção articular, assim como os efeitos
deletérios secundários na força e
equilíbrio.
Benefícios
psicológicos
Os indivíduos praticantes
de Tai Chi Chuan demonstraram aumento da confiança no
equilíbrio e na realização dos movimentos.
Entre os efeitos notados nas atividades da vida diária
estavam: aumento da percepção do corpo e de
diferentes facetas do bem-estar, redução do estresse,
fazer coisas que achavam que não podiam fazer,
sensação de vigor e força, melhor
coordenação e equilíbrio,
diminuição da ansiedade e percepção da
dor, aumento da atenção, da confiança e do
relaxamento, melhor desempenho mental e senso de
realização.
Contra-indicações
Embora a maior parte dos estudos
revistos mostre os benefícios do Tai Chi Chuan, verificou-se
que nem todos os indivíduos se beneficiam com esta
prática, havendo também situações em
que a mesma é contra-indicada, tais como em
indivíduos com diagnóstico de angina, arritmia
ventricular ou ambos. Assim é necessária
avaliação inicial para determinar a tolerância
do indivíduo cardiopata ao exercício e outras
possíveis contra-indicações.
Conclusão
Os trabalhos revistos mostram que o
exercício do Tai Chi Chuan é benéfico na
função cardiorrespiratória, controle mental,
flexibilidade e controle do equilíbrio em idosos. Ele
melhora a força muscular e reduz o risco de quedas neste
grupo etário.
Embora a maioria dos estudos tenha sido bem
desenhada, dois fatores foram sistematicamente omitidos ou apenas
parcialmente contemplados: o programa de treinamento e o controle
das variáveis de confundimento.
Com relação ao programa de
treinamento, apesar de haver trabalhos reconhecendo que o Tai Chi
Chuan é uma modalidade bastante heterogênea, é
comum a omissão da especificação do tipo de
técnica utilizada pelo pesquisador. Grande parte dos estudos
refere ter utilizado o Estilo Yang de Tai Chi Chuan. Entretanto, de
acordo com os trabalhos revistos, existem dezenas de
variações dentro deste estilo e esta mesma
variação está presente também dentro
dos outros estilos. A simples menção do estilo e a
não inclusão do programa de exercício, bem
como os dados relativos à intensidade e nível de
complexidade das práticas, gera um importante viés de
aferição, dificultando a comparação e a
discussão dos resultados de um trabalho por outros
pesquisadores e inviabilizando a sua replicação.
Portanto, estudos relacionados à
Metodologia de Ensino do Tai Chi Chuan, que discutam o planejamento
e padronização da prática, fazem-se
necessários para permitir essa interlocução
entre os diversos autores.